sexta-feira, agosto 29, 2008

Caso Clínico 18/08 - Sarcoma de Sticker numa cadela (III)



Esta é a Princesa na última sessão de quimioterapia, correu tudo bem só falta daqui a 2 semanas ser reavaliada e se tudo tiver a correr bem tem alta.

quinta-feira, agosto 28, 2008

Resultado do Inquérito - 06/08




Em relação à questão " que parasita é este que é tão temido pelas grávidas?", todos os participantes acertaram: trata-se do Toxoplasma gondii.


Muito obrigada pela vossa participação e espero a vossa votação no próximo inquérito.

sexta-feira, agosto 22, 2008

Site da Dra. Addie

Para saber a informação mais actualizada sobre o PIF (peritonite infecciosa felina), aconselho a consulta deste site: www.dr-addie.com.

Existe uma tradução em Português deste site.

quarta-feira, agosto 20, 2008

Vacinação em gatos


A vacinação constituí a melhor arma para o controlo e prevenção de doenças infecciosas. No caso dos felinos existem no mercado vários tipos de vacinas que poderão ser administradas. A escolha da vacina a administrar é feita em conjunto com o veterinário assistente que saberá quais as doenças infecciosas felinas para as quais o seu gato deverá ser vacinado de acordo com a região e a adaptar o esquema que melhor se adequa para cada caso em concreto.

Que vacinas é que recomenda?

Existem 2 vacinas que, na minha opinião, deviam ser administrados em todos os gatos saudáveis : a vacina Trivalente - que protege o gato contra os principais agentes infecciosos responsáveis pelo Sindrome Respiratório Felino ( calicivirus e herpesvirus), bem como contra panleucopenia felina que provoca gastroenterites hemorrágicas muito graves - e a vacina contra o virus da Leucose Felina ou FeLV.


Qual o esquema de vacinação felina que recomenda?

Os gatos podem ser vacinados a partir dos 2 meses de idade, realizando um 2º reforço passado 3 a 4 semanas do 1º reforço efectuado. Após a primo-vacinação a vacina começa a ser administrada anualmente por enquanto, já que há estudos que nos indicam que a imunidade oferecida pelas vacinas de hoje em dia é mais douradoira que um ano, podendo atingir os 3 anos. Como ainda se encontra em discussão a validade imunológica das vacinas, continuo a recomendar a vacinação anual dos gatos.

As vacinas que recomendo são a Trivalente e a Leucose Felina, sendo administradas separadamente quando eles são gatinhos.

A vacina da raiva também pode ser dada nos gatos, sendo em alguns países de caractér obrigatório, podendo ser administrada a partir dos 3 meses.


E nos gatos adultos? Qual o esquema que recomenda?


Nos gatos adultos deve-se realizar o teste de despite de FIV e FeLV sempre antes de serem vacinados, pois só assim podemos adaptar o protocolo ao animal em questão.


Gatos saudáveis com historial de terem sido vacinados podem fazer um reforço único e depois reforços anuais.

Quando não se sabe do historial vacinal de um gato saudável, o melhor é jogar pelo seguro e fazer o mesmo esquema que se aplica aos gatinhos.

Por razões económicas, existem pessoas que só querem fazer a vacina Trivalente porque o seu gato não contacta com outros gatos e está sempre em casa. No entanto, só o facto dos donos o trazerem à clínica para a vacina já estão a expor, indirectamente, o seu gato a vários vírus, incluindo o FeLV. Portanto a vacinação contra a Leucose Felina torna-se muito importante e imprescindível.

Um gato saudável que no teste dê FeLV positivo, não necessita de ser vacinado contra a Leucose Felina, pois em alguma fase da sua vida contactou com o virus e encontra-se naquele momento em equilíbrio com o vírus. Pode ser vacinado mas é uma despesa desnecessária para o dono. Nesta situação administro somente a Trivalente.

O caso muda de figura quando o gato é saudável mas que é positivo ao FIV. Aqui, desaconselho a vacinação contra a FeLV, já que a administração da mesma poderá provocar uma imunossupressão. No entanto a administração da Trivalente é de extrema importância para que o animal não fique doente com alguma destas doenças que poderão surgir secundariamente a uma diminuição do sistema imunitário.

No gato saudável (?) que é FIV e FeLV positivo, procede-se da mesma forma que no caso de um gato FIV positivo.


Que esquema de administração de vacinas em gatos utiliza?



Na vacinação dos gatos utilizo o esquema recomendado pelo A.V.M.A. ( www.avma.org/vafstf ) que sugere:

- A administração das vacinas em gatos deve se feita o mais possível pela via subcutânea e não intra-muscular;

- Utilizar outras vias de administração de vacinas, se possível, sem ser pela via injectável – como por exemplo a intranasal;

- Após a administração das vacinas deve-se realizar por escrito o local onde se deu, lote, marca e qual a valência da vacina;

- Notificar o fornecedor do aparecimento de reacções anómalas

- Administração de vacinas com trivalência simples : Membro Anterior Direito

- Administração de vacinas contra o vírus do FeLV sozinha ou com outras valências: Membro Posterior Esquerdo

- Administração de vacinas contra a raiva ou associada a outras valências: Membro Posterior Direito


Porquê seguir estas recomendações?

Estas recomendações vêm ao encontro da necessidade de diferenciação da valência das vacinas com o aparecimento no local de inoculação das mesmas de fibrosarcomas vacinais. Para além de ter uma componente prática importante na remoção do tumor, já que torna-se muito difícil a extracção do mesmo com boas margens na zona do pescoço ( zona onde ainda alguns veterinários dão vacinas subcutâneas a gatos) , bem como é um tumor muito invasivo a nível muscular.

Aos fibrosarcomas estão associadas as vacinas que contenham as valência FeLV e raiva. No entanto a probabilidade de um gato ficar com fibrosarcoma depois de ter sido vacinado contra o FeLV é muitíssimo mais baixa do que a probabilidade de apanhar FeLV por não estar vacinado. Já para não dizer que é raro a ocorrência de fibrosarcomas vacinais.


Como se distingue uma reacção inflamatória vacinal normal de um fibrosarcoma?



A distinção entre reacção inflamatória no local de inoculação da vacina de um fibrosarcoma é muito importante para que não haja alarmismos desnecessários por parte dos donos.

Por vezes após a vacinação do seu gato poderá desenvolver-se no local de inoculação da vacina um matulozinho que por vezes dói ao toque. É rara, mas pode acontecer, normalmente é uma reacção inflamatória passageira que deverá desaparecer espontaneamente em 3 a 5 dias.

O fibrosarcoma é uma formação dura, infiltrativa, irregular que vai aumentando ao longo do tempo, podendo aparecer vários em outros locais ( metástases ). Persiste mais do que 3 meses, diâmetro maior que 2cm e aumenta de tamanho 1 mês após a administração da vacina.

Como se diagnostica o fibrosarcoma e qual o tratamento?

Para o diagnóstico de fibrosarcoma realiza-se uma biopsia e exame histopatológico.

O seu tratamento passa pela sua excisão/extracção, no entanto como é muito infiltrativo podemos não conseguir removê-lo por completo, sendo as recidivas muito frequentes. A quimioterapia e radioterapia também se podem realizar, mas o prognóstico é tão reservado como o cirúrgico.

terça-feira, agosto 19, 2008

Trombiculose - Trombicula autumnalis



Que parasita é este?


É muito provável, se for veterinário, que após a realização de uma raspagem de pele de uma lesão ligeiramente crostosa e de cor alaranjada ( parece polén), próximo da raiz do pêlo do animal ou - em situações mais avançadas - em vesiculas, que se tenha deparado com este parasita e não se recorde do seu nome.

Este parasita dá-se pelo nome de Trombicula autumnalis e é um parasita que passa a maior parte da sua vida como parasita das plantas e outros artropodes, havendo uma fase da sua vida ( fase larvar) em que alimenta do plasma de animais. A infestação ocorre quando o animal passa num chão contendo ovos de Trombicula e estes sobem para o pêlo e pele do animal. Esta é uma doença sazonal cuja maior prevalência ocorre no final do Verão e princípio do Outono , em climas temperados , ou ao longo do ano se for uma região quente.


Quais os sinais da Trombiculose?



A Trombicula autumnalis provoca grande comichão, piodermatites autotraumáticas, formação de vesículas, pápulas e eritema sobretudo nas zonas de contacto com o chão: membros, patas, cabeça, orelhas, região abdominal e inguinal. Há animais que desenvolvem letargia, anorexia e vómito devido à irritação cutânea que sofrem, bem como este parasita pode provocar depressão do sistema imunológico.


Como se diagnostica a Trombiculose?


Para o seu diagnóstico basta uma raspagem de pele e observação ao microscópio para diferenciar este parasita dos ácaros ou até das carraças chumbinho (ninfas). É extremamente fácil: a Trombicula autumnalis tem só 3 pares de patas enquanto que os ácaros e as carraças têm 4 pares de patas.

Ácaro responsável pela sarna sarcóptica - Sarcoptes scabei - repare nos 4 pares de patas



Carraça - Rhipincephalus sanguineus




Ácaro responsável pela sarna demodécica - Demodex canis, cuja forma do corpo já de si é diferenciadora


Ácaro responsável pelas otites parasitárias - Otodectes sp.



2 exemplares de Trombicula autumnalis


O exame macroscópio de formas arrendondadas laranja brilhantes junto à raiz do pêlo, fazendo lembrar polén, revela a um olho experiente a existência deste parasita, no entanto aconselho sempre a sua identificação ao microscópio.


Qual o tratamento para a trombiculose?

O tratamento para a trombiculose é o banho com peróxido de benzoílo, óptimo para todos os casos de ectoparasitismo e a aplicação de ampolas ou spray que igualmente são utilizados na prevenção de pulgas e carraças ( ter atenção de respeitar o intervalo entre o banho e a aplicação da ampola!) - como é o caso fipronil ( spray ou spot-on) ou permetrinas.

Quando existe já piodermatite, aconselho o uso concomitante de antibiótico, anti-histamínicos e pomadas hidratantes. Por vezes o uso de colar isabelino é importante para evitar o auto-traumatismo. O uso de anti-inflamatórios à base de cortisona deve ser feito com bom senso, já que a Trombicula autunmalis provoca imunodepressão e deve ser dado em períodos de 2-3 dias no máximo.

Se o meu animal de estimação tiver trombiculose pode passá-la a mim ou ao meu outro animal de estimação?

A doença é autolimitante, ou seja, não afecta os outros cães nem as pessoas, só o próprio animal, como no caso da demodecose.

No entanto recomendo a lavagem da cama ou colcha onde o animal dorme e desinfecção, bem como a implementação de medidas higiénicas normais da rotina diária do seu animal.

Caso Clínico 20/08 - Erosão da córnea por pragana


Esta é a Debbie uma Fox Terrier de pêlo cerdoso que se apresentou à consulta com blerarospasmo, conjuntivite muito intensa e corrimento ocular purulento. Na consulta foi lavado o olho com soro fisiológico e detectou-se uma pragana espetada na conjuntiva.

A Debbie foi sedada para se proceder à extracção o mais atraumática possível da pragana.

Fez-se o teste da fluoresceína que deu positivo, verificando-se erosão da córnea provocada pelo contacto com a pragana.

A Debbie foi com colar isabelino e medicada com antibiótico, anti-inflamatório não esteroide e n-acetilcesteína que ajuda na regeneração da córnea.

Caso Clínico 18/08 - Sarcoma de Sticker numa cadela (II)



Esta é a Princesa na 3ª semana de tratamento, como se vê o tumor praticamente desapareceu, só falta mais uma sessão e a Princesa acaba a quimioterapia.